terça-feira, 5 de agosto de 2008

SUBSTITUTIVO DO PCL 89/03 PROÍBE ACESSO A INTERNET SEM FIO

A intenção seria não só fazer com que todas as conexões fossem vigiadas, mas como extinguir as wireless

Como se o projeto de lei do Senador Azeredo já não fosse problemático o suficiente, outra área que ele menciona é o acesso público à conexão wireless. Na Internet banda larga de casa, o culpado do conteúdo potencialmente ilegal, que um usuário baixaria, seria além dele mesmo, claro, também o provedor que fornece o acesso à web para esse tipo de pessoa. Contudo, no caso da conexão sem fio, como em por exemplo LAN houses ou universidades, a culpa cairia nas próprias entidades.

Com medo de que crimes cibernéticos sejam feitos em faculdades e cafés - notem como esses são lugares realmente suspeitos - o substitutivo resolve simplesmente terminar com esse acesso livre, afim de evitar problemas, ambos para o usuário, como para o estabelecimento que oferece a Internet, assim de forma tão inocente. O que nos deixa perguntando: pessoas realmente fazem coisas ilegais na web, com seus notebooks, na faculdade? Como é possível que um hacker não tenha acesso à rede de casa e precise de ir para uma LAN House para desviar dinheiro ou compartilhar fotos de menores pelados?

Proibir o acesso à internet wireless é apenas outro dos vários absurdos e exageros que o Senador Azeredo pretende aprovar, com o seu projeto de lei, nada bem quisto na rede. Projeto tão querido que ontem, 4, o abaixo-assinado feito por professores e profissionais na área de comunicação completou 100 mil assinaturas. Interessados, leiam o mesmo aqui.

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PROJETO DE AZEREDO VISA CRIMINALIZAR SITES DE LEGENDAS

Artigo proíbe "obter dado ou informação disponível em rede de computadores, sem autorização do legítimo titular."



Legendas.tv, um site que disponibiliza legendas de grátis, seria fechado

Atualmente
, é crime copiar algum DVD original, por exemplo, e disponibilizá-lo para download na Internet. O conteúdo é fácil de encontrar (em qualquer P2P do mundo se acha praticamente qualquer coisa), mas a cópia exata da obra licenciada no país é mais rara, pois no caso é material ilegal, ou seja, mais complicado de achar. Em casos de seriados, uma temporada só é licenciada aqui, quando termina no seu local de origem; normalmente logo que estréia nos EUA, demora uns meses para finalmente estar disponível à venda no Brasil. Durante esse período, contudo, baixar os episódios não é ilegal, pois eles não estão sob nenhum contrato nacional.

O problema é que a maioria das pessoas que assiste a esse tipo de programa não sabe inglês tão bem a ponto de entender tudo sem legenda em português. E é justamente por isso que existem grupos de pessoas que legendam. Filmes, seriados, animes, videoclipes, qualquer coisa. São milhares de pessoas que baixam Lost a cada semana, por exemplo, e esperam horas pela legenda, que fica disponível, completa e perfeita, normalmente menos de 10 horas depois de o episódio ir ao ar, nos EUA. Caso o projeto substitutivo do Senador Azeredo (sim, substitutivo! teve que ser modificado, imaginem então como não era antes; possivelmente mais restritivo e opressor ainda) seja posto em prática, não somente o mero usuário que faz o download do seu episódio semanal, mas também aquelas pessoas que gastam horas traduzindo e sincronizando uma legenda, por prazer e sem pedir nada em troca (leia-se de graça), seriam consideradas criminosas!

Sites como o Legendas.tv, que praticamente todo brasileiro que baixa filmes conhece, seriam desativados e todos os usuários cadastrados provavelmente presos, por salvarem legendas gratuitas que não são suas, nos computadores. Outros como o Haitou.org (voltado para animês, também com milhares de membros cadastrados e centenas de arquivos disponíveis para download) e o MakingOff.org (sobre cinema alternativo, independente e estrangeiro), também seriam fechados. Vejam bem, é um atendado à liberdade e ao direito de cultura de quem acessa a web! Onde mais seria possível assistir filmes europeus, legendados gratuitamente por brasileiros, fora na Internet? Nos cinemas? Em cidades como Porto Alegre, talvez (mas, claro, substituindo o 'de graça' por 'trabalho'), mas e a maioria que mora no interior?

A Internet permite que as pessoas ampliem sua personalidade, gostos e interesses. Que descubram coisas relevantes, que elas não faziam idéia da existência. Não fosse a web, a comunicação mundial estaria gravemente atrasada. Se uma lei que bloqueie a criatividade virtual passar da teoria para a prática, o Brasil voltaria no tempo, onde a vigilância e medo reinaria, não sobre as ruas, mas sobre o computador na casa de cada família.

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segunda-feira, 28 de julho de 2008

SENADOR QUER PRIVAR INTERNAUTA DE NAVEGAR COM LIBERDADE

PCL 89/03 diz que provedores devem supervisionar e armazenar dados da conexão de todos seus usuários

Então, o projeto de lei contra crimes cibernéticos do Senador Eduardo Azeredo diz que todos os dados que você acessar e transferir pela Internet devem ser devidamente armazenados pelo seu provedor, além de acabar de vez com o acesso público à rede wireless. O objetivo seria, claro, vigiar e punir quem faz atos ilegais pelo computador, como propagar pedofilia e falsificar cartões eletrônicos. Contudo, se tal medida for posta em uso, absolutamente todos que usam a Internet no Brasil hoje em dia (para benefício próprio ou não - e não só eles!) seriam prejudicados.

Com todo o seu conteúdo baixado supervisionado, o internauta, bom, não poderia fazer nada online. Qualquer contato ou troca de material teria que ser feito sob autorização e permissão de quem de fato a criou. E como ninguém iria fazer isso, todos seriam considerados criminosos. Seria crime botar uma foto minha no meu blog, assim como acessá-la de qualquer outro computador. Mesmo que eu escrevesse em baixo da foto "Não salve esta imagem!", ela seria automaticamente salva nos arquivos temporários do seu navegador e pronto, baixou sem autorização, crime. Todo mundo sabe que muita gente faz coisas ilegais pela internet, dos piores tipos realmente, mas essa lei prejudicaria mais o usuário comum do que de fato um meliante. A Internet pararia de ser usada, pois todos teriam medo de fazer algo ilícito. Lembrando também que a maioria das pessoas que acessam a web no Brasil não faz idéia do que é, por exemplo, endereço de IP, proxy, ou P2P; coisas que quem tem um conhecimento maior sobre a rede conhece, principalmente hackers e crackers.

Como eu disse, não somente os usuários comuns seriam prejudicados; imaginem os gastos que os próprios provedores teriam para armazenar tanta informação. Se hoje em dia já é possível baixar gigas de informação diariamente por conexão, que dirá de todas de uma mesma cidade. Provavelmente são eles quem mais estão preocupados com a aplicação do projeto ou não. Agora pensem nisso, se até hoje em dia, muita gente já usa proxies para esconder a sua conexão e se sentir mais seguro (ou mais anônimo), imaginem com o provedor rastreando nossas informações. "OK, um usuário aqui dessa região é suspeito, mas... a conexão dele vem da Índia?" Suspeito, de fato.

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